O Inferno na Visão Teológica



Introdução
 
O inferno é descrito por várias religiões de maneiras diferentes, é notório que em todas encontramos o inferno, ou algo semelhante a ele. Para o Islamismo o inferno é eterno, consistindo em sete portões pelos quais entram as várias categorias de condenados, sejam eles muçulmanos injustos ou não-muçulmanos. Para eles, o inferno também é um lugar de purificação das almas, onde aqueles que, se ao menos um dia de suas vidas acreditaram que Deus
(Allah) é único, não gerou e nem foi gerado, terão suas almas levadas ao Paraíso um dia. Para o Espiritismo, o inferno é um estado de consciência da pessoa que incorre em ações contrárias às estabelecidas pelas leis morais, as quais estão esculpidas na consciência de cada pessoa. Já para as Testemunhas de Jeová, o inferno de fogo como lugar literal de tortura das pessoas iníquas é rejeitado. Citam-no como "sepultura" ou "lugar dos mortos", com a idéia de destruição e aniquilação eterna. Para a corrente católica, conduzida pela Igreja Católica Apostólica Romana, o inferno é eterno e corresponde a um dos chamados novíssimos: a morte, o juízo final, o inferno e o paraíso. Para o Adventismo, o inferno denota um estado de inconsciência, logo, não estão em alguma habitação intermediária, mas, unicamente, na sepultura, donde não sabem de nada do que se passa, não possuem sentimentos e nem lembrança alguma, nem mesmo de Deus. Mas o que a bíblia, na verdade, fala sobre o inferno, ou como podemos a luz das escrituras, encará-lo?

O inferno Segundo a Bíblia

Como vimos inferno, é um termo usado por diferentes religiões, mitologias e filosofias, representando a morada dos mortos, ou lugar de grande sofrimento e de condenação. A origem do termo é latina: infernum, que significa "as profundezas" ou o "mundo inferior". A bíblia, em sua escrita original, trata o inferno em diversas esferas, trazendo a idéia do escritor de cada época, ao que ele de fato se referia. Um dos termos encontrados na bíblia, para se referir ao inferno, é Sheol.

Sheol

O salmista Davi, em seu brilhante trabalho, a saber, o salmo 139, em seu verso de número 8, faz menção do sheol, hebraico. “Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também” (ACF). Em outras traduções, encontraremos a palavra “sepultura”. Na concepção veterotestamentária, sheol é algum lugar embaixo na terra, para onde vão os mortos. Sheol, pode se referir tanto a cova literal como a cova espiritual, ou o além-túmulo. No além-tumulo, sheol é similar ao hades, grego, o escuro domínio dos mortos. Homero em Odisseia livro XI denota-o por assim. A septuaginta trata o sheol, tanto como o domínio fechado, como o pó. Em outros casos, é retratado como uma besta com a mandíbula aberta, Is 5:14; 14:9. Hb 2:5; no ultimo caso, “a sepultura”. Escrevendo para os egípcios, Ezequiel relata a visão com descrições confinadas ao sheol. É importante notar, que o AT, refere-se ao sheol como tão somente a habitação dos mortos, e não ao local de castigo dos ímpios.
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Hades
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Na mitologia grega, Hades era um deus, e reinava no mundo inferior, diferente do hebraico bíblico. Jesus, certa feita, contou a parábola do rico que foi para o hades, como um aviso as pessoas que o ouviam, para que se arrependessem (Lc 16:19-31). A palavra hades, refere-se, mais uma vez, tanto á sepultura quanto ao mundo dos mortos. Seria um tipo de sheol para os gregos. Em At 2:27-31, declara que Jesus não foi deixado no sepulcro, isto é, no hades; já em Ap 20:13, hades é o submundo que entrega seus mortos para o juízo divino. Hades, da mitologia grega, era equivalente ao deus romano Plutão da mitologia romana, que significa o rico e que era também um dos seus epítetos gregos, seu nome era usado freqüentemente para designar tanto o deus quanto o reino que governa, nos subterrâneos da Terra. A versão "Bíblia de Jerusalém", nova edição revista e ampliada, de 2002, traduz a palavra uma vez por "mansão dos mortos", duas vezes por "inferno", e as restantes sete por "Hades". A tradução do "Centro Bíblico Católico" verte hades por "inferno", "região dos mortos" e "morada subterrânea". A tradução "Padre António Pereira de Figueiredo", edição de 1900, verte a palavra hades uniformemente por "inferno" nas dez ocorrências. Por sua vez a palavra hebraica she’óhl é traduzida por "inferno", "infernos", "sepultura" ou "sepulchro". Sendo assim, hades é a versão grega do sheol hebraico.

Geena

O termo é de origem judaica, e transliterado é Geh Ben-Hinom, literalmente "Vale de Hinom", que era um vale em torno da cidade antiga de Jerusalém, e que veio a tornar-se um depósito onde o lixo era incinerado. Atualmente é conhecido como Uádi er-Rababi. Nesse vale, eram realizados sacrifícios de crianças (2Rs 16:3), o rei Josias o profanou (2Rs 23:10). Jr 7:32, declara que Deus julgará Judá nesse vale, nisso, durante o período intertestamental, o termo veio a ser usado para descrever o local onde o impio receberia o castigo eterno. Jesus usou Geena, para falar da punição com fogo (Mt 5:22; 10:28; 18:9), e estes mesmos versículos, são traduzidos pela NVI, por “inferno”, dando-nos a idéia, que o propósito original de Geena, era servir como local de castigo para os demônios, ainda que ímpios pudessem ser levados para lá. Em Mt 25:41, vemos “fogo eterno” (NVI). Dante Alighieri, Florença, 1265 a Ravenna, 1321, foi um escritor, poeta e político italiano, e considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido como "il sommo poeta" ou "o sumo poeta". Dante, tendo uma idéia do Geena, escreveu: “Nell'inferno dei luoghi più caldi sono riservati a coloro che hanno scelto la neutralità in tempi di crisi”; que em português é, “no inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”.A ídeia de geena, é um lugar de sofrimento.

Tártaro

Na mitologia grega, o Tártaro é personificado por um dos deuses primordiais. A idéia de Hesídeo, poeta grego, é que o tártaro era um lugar tão profundo no chão, a ponto de estar coberto por três camadas de noites, que se seguiam a um muro feito de bronze a cercar este distante subterrâneo, sendo então um tipo de poço úmido, frio e desgraçadamente imerso na mais tenebrosa escuridão. Para os romanos, o Tártaro era o lugar para onde eram enviados os pecadores. Virgílioo descreve na Eneida(livro VI), como um lugar gigantesco, rodeado por um rio de fogo, cercado por tripla muralha que impede a fuga dos pecadores. Mas para os teólogos, Tártaro, vai além do hades, e é usada só uma vez, e no NT, a saber, 2 Pedro 2:4; descrevendo o local de punição dos anjos rebeldes. O Dicionário Grego do Novo Testamento de Strong diz que "Tártaro" é "o abismo mais profundo do Hades", a exemplo disso vemos Ap 20:3, e a palavra significa "encarcerar, aprisionar em tormento eterno". Em Mt 25:46, Jesus fala do terrível lugar que pode vir a ser o tártaro; "E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna".
A palavra grega para “eterno” é aionios, que significa "sem começo e sem fim", “eterno”, é usada em Romanos 16:26 referindo-se a Deus, "do Deus eterno" (aionios). A morte ou o sofrimento do ímpio, não é passageiro, mas aionos, ou seja, eterna.

Conclusão

O inferno, sheol dos hebreus, é o mesmo inferno hades, dos gregos, sendo encarado por ambos, tanto como a sepultura física, como a habitação dos mortos. O sheol ou o hades como habitação dos mortos, não é valido no âmbito escatológico, já que nestes locais, não há sofrimento, mas uma existência confinada a escuridão. Já o geena, tem mais apoio escatológico, sendo o lugar de punição aos ímpios, idéia tradicional da América do sul. Geena é o lugar de sofrimento descrito várias vezes por Jesus, diferente de tártaro, descrito somente por Pedro, um tipo de geena,ou de “lago de fogo”, onde há aprisionamento e sofrimento eterno.

Claudio Martins
O Inferno na Visão Teológica O Inferno na Visão Teológica Reviewed by Claudio Martins on outubro 08, 2014 Rating: 5

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